In Moda

Olá, amorecas e amorecos!

A última edição do São Paulo Fashion Week foi encerrada recentemente, e celebrou os 25 anos do evento no Brasil. Em meio à pandemia, a semana de moda teve como tema “moda e arte para transformar” e foi feita 100% on-line. Com 33 desfiles, o SPFW resgatou a essência da moda e mostrou que o mundo fashion vai além de roupas e acessórios, é luta, diversidade, política e, acima de tudo, criatividade. É arte!

Os cinco dias de evento se encerraram no domingo (8) e contaram com projeções e painéis de desfiles em edifícios e pontos turísticos da capital. Foram reproduzidas imagens atuais e também das primeiras edições do evento, como uma forma de celebrar o trabalho realizado nos últimos 25 anos. A proposta de levar um pouco das passarelas para esses lugares aconteceu devido à pandemia da Covid-19, que fez com que as pessoas precisassem ficar em casa.

“A ideia é abrir o evento para a cidade toda. Ele deixa de ser em um espaço único e passa a acontecer na rua. Nossa rua é muito rica, mas acho que essa energia da rua vai voltar. E a moda é uma energia da moda”, explicou Alexis Anastasiou, artista visual do evento, em entrevista coletiva.

Algo que se destacou nos desfiles foi a inclusão. Nessa edição, o SPFW estabeleceu cotas de 50% de modelos negros, indígenas ou asiáticos para as marcas participantes. Um estilista que chamou atenção foi o estreante Tom Martins, que trouxe uma proposta de roupas fora dos padrões, sem gênero e oversized. Ele criou a grife Martins com intuito de fazer peças para todos os tipos de corpos.

Assim como nas semanas de moda do exterior, outro problema que foi apontado por alguns designers foi o calendário de coleções, criado pelo estilista Charles Worth nos anos 50. Esse calendário é dividido em estações e altamente criticado pela rápida demanda de troca de coleções. André Boffano, estilista e criador da Modem, já deixou claro em várias entrevistas que não acredita mais nessa fast fashion, modelo de produção de roupas em massa. Para contrapor com essa ideia da indústria, o designer criou peças atemporais e as misturou com vestes de coleções passadas da marca.

“Qual a sua relação com o tempo? Qual a relação do tempo com a moda? O que é novo? O que é velho? Entender que o tempo não é apenas a duração relativa das coisas, mas sim milhões de oportunidades dadas para fazer algo melhor (para nós, para o planeta, para a nossa comunidade) é essencial”, disse Boffano no Instagram.

Vincular assuntos como esses na passarela é crucial para mostrar que a moda vai além do visual. O mundo fashion precisa entender seu papel no aumento da desigualdade e lutar contra isso, mostrar representatividade e apoio. É necessário lembrarmos também que, de acordo com a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), a indústria da moda é responsável por produzir mais de 1.100.000 toneladas de material têxtil no país, sendo que 12% desse material é desperdiçado.

Paulo Borges, idealizador e diretor criativo do evento, já tinha afirmado que a nova edição do SPFW iria exigir criatividade, pois os tempos mudaram.

“A reflexão sobre consumo, propósito e atitude é o grande benefício que o isolamento social nos trouxe. Precisamos pensar no que estamos fazendo para ter um mundo mais sustentável, a necessidade do coletivo precisa ser centrada na questão do individual, de dentro para fora”, afirmou em entrevista ao Universa.

Hoje, inspirar já não é suficiente, a semana de moda precisa ser o ponto de partida para transformação e conexão das pessoas com o mundo fashion. Pois a moda não atinge apenas nossas roupas, ela interfere na economia, meio-ambiente e autoestima. Ela é meio de transformação.

Fonte: Portal Integra

 

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