In Turismo

Se você vai viajar pela primeira vez para algum país é importante que faça algumas pesquisas antes de embarcar. Quais pesquisas, Matias? Procurar compreender como as pessoas de outros lugares vivem é o primeiro passo. Nem todos os dedos das mãos são iguais, não é? Afinal, quais são os costumes daquela nação que conhecerei? Será que tomam café da manhã como no Brasil? Será que mostrar o dedo do meio é tão feio quanto aqui? Ops! Será que usar aquele short curtinho que coloquei na mala vai trazer algum problema? Será que tomam banho quantas vezes por dia? 1? 2? Nenhuma?!  Não sabemos! Então, entender as outras pessoas é de suma importância para uma viagem saudável e sem contrariedades. Digo isso tudo por experiência própria.

Caminhando por uma praça (Leicester Square) em Londres, repleta de “cabaninhas” vendendo comidas típicas, maravilhosos doces artesanais, o céu de Londres brilhava naquele dia. O passeio estava simplesmente maravilhoso até o momento que resolvi tirar minha câmera de dentro da mochila. O conjunto que aquela praça trazia naquele instante, despertou em mim um turbilhão de sentimentos positivos. As cores, as flores, várias famílias reunidas e curtindo um dia de sol, me deu a vontade de registrar aquele momento e enviar para a família que estava no Brasil. Pois bem, nesse meio tempo, enquanto ligava a câmera, avistei uma senhora toda equipada com uma bola de cristal, um turbante colorido, me parecia totalmente concentrada. Ao seu lado tinha uma placa que informava que para ler a mão estava na promoção, não passava de £1 (Aproximadamente R$4). A danadinha era a Mãe Diná, ou algo do tipo. Morro de medo dessas coisas! Sofro só de pensar sobre as coisas que esse povo pode me falar, sobre meu futuro, mortes, entre outras coisas.

P-â-n-i-c-o!

Aquela cena me deixou um tanto curioso. Londres é mesmo uma mistura cultural. Confesso que estávamos distantes um do outro, mas de longe a avistei, e pelo visto ela havia me avistado também. Como? Não sei! Esse é o mistério do lobisomem. Será uma ligação? Creio em Deus Pai! Cê besta!

Enquanto olhava a Mãe Diná atendendo sua cliente…

O ir e vir das pessoas me animou ainda mais, liguei a câmera e tirei uma foto, mas tive a infelicidade de apontar para o rumo da Cartomante ou quiromante, não sei como chamam as pessoas que lêem sorte ou coisa do tipo.  Em menos de cinco segundos, a bendita senhora que estava de olho fechado “lendo” a mão de uma moça, levantou da sua mesa e começou a gritar enlouquecidamente. Se ela gritava? URRAVA!  E o pior de tudo…. Em inglês. Ela simplesmente veio correndo para o meu rumo. Juro que não acreditei! Parecia até sonho.

Estávamos em três pessoas nessa hora, nunca corri tanto na minha vida, olhava para trás, a cartomante estava com todo o pique atrás de mim, a intenção dela era correr até me pegar. Minha boca estava branquinha. Pensei comigo que seria melhor eu me render, pois as pessoas que passavam naquele momento poderiam pensar que eu havia roubado alguma coisa, poderia haver um policial no momento, e eu não saberia explicar o que realmente tinha acontecido, porque não entendi o motivo de tanta ira da mulher. As três pessoas que estavam comigo correram também, até que resolvemos parar e escutar o que ela tinha pra nos dizer. A primeira reação dela foi literalmente avançar na minha câmera, que ainda estava na minha mão, e gritava sem parar, palavras de baixo calão.

Quando olhei em volta, praticamente todo mundo da praça escutava e analisava atentamente aquela situação.  Ela tentava apagar a foto de todo jeito, deixou a máquina cair. Se ela quebrasse, juro que ia dar um supapo bem dado nela. Um amigo que fala inglês fluentemente se sentiu humilhado com aquela situação e começou a falar com a senhora da mesma altura que ela falava conosco, começou ai uma verdadeira confusão em praça pública. Fiquei tão estressado com aquela situação, que o meu curso de inglês que fiz durante cinco anos não me serviu de nada, a adrenalina não me deixou entender o que ela falava e eu não conseguia respondê-la. Ela nos ameaçava, esperneava e a impressão era que iria nos dar um golpe fatal, pegou a câmera mais uma vez e apagou a foto. Deu mais um grito e saiu de perto, graças a Deus!

Saímos da praça com os “rabinhos” entre as pernas, humilhados e pálidos com o ocorrido. Sentados no metrô, voltando para o Pimlico, bairro que ficamos hospedados. Quando o sangue esfriou demos uma verdadeira crise de riso em pensar como reagimos  e lidamos com aquela situação. Ao ligar a câmera, pude ver que a foto dela ainda estava na memória, então pensei:  “Vou mandar para a família no Brasil”, desci do metrô e procurava uma rede para conectar a internet. Consegui. Quando fui mandar, cadê? A foto não existia mais na máquina e nem na lixeira, uma vez que as fotos tiraram costumam cair na lixeira. Quanto poder que aquela danada tinha! 

Só sei que não tenho registro da pracinha…..

Depois desse dia, procuramos a pesquisar como era a vida e crença dos próximos lugares que passaríamos naquele mês. Tentamos entender o motivo de tanto nervosismo da veinha, algumas pessoas nos falaram que ela poderia ter achado que éramos jornalista e faríamos uma denúncia de charlatanismo ou algo do tipo. Foi uma lição! Nunca mais!

Vocês já passaram por uma situação parecida? Espero que não!

Abraço forte e “bão”!

Beijo e até a próxima!!

See u!

 

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